Category Archives: Reflexões

This was not my birthday cake

(English version below)

A cada segundo de nossas vidas, nosso corpo vai envelhecendo. No ciclo eterno dia e noite, em meio a agendas apertadas, programas culturais, trabalho, comida e sono, vamos vivendo as escolhas que fazemos. A vida adulta de resolução de problemas, estabelecimento de metas.
Este ano fiz 26. Não teve festa. De qualquer forma, tenho escolhido viver cada dia como um pequeno milagre, ao lado dos velhos e novos amigos. A vida é uma celebração. De repente lembramos da criança que fomos. Doces, roda gigante, música, amigos.

Poucos meses atrás, estava andando com meus novos amigos, madrugada adentro à beira do rio Tâmisa. De repente nos deparamos com um grupo de indianos em algazarra, haviam contratado uma violinista polonesa na rua em comemoração ao aniversário de um deles. Fomos convidados para participar de uma festa de aniversário. Doces, roda gigante, música, amigos.

Um momento de etérea alegria de comemorar existência humana como com o filtro da simplicidade de uma criança.
Não somos mais crianças, mas esse estado que nos deixou há (mais ou menos) tempo nos deixou o legado de ver o mundo com olhos que tem braços abertos para a realidade.
Feliz dia das crianças.

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Every second of our lives, our bodies get older. On the endless cycle of day and night, between tight schedules, concerts, working, eating, sleeping… we live our choices. Adult life consists in solving problems, stablishing goals and focusing on them.
I’ve turned 26 this year. There was no party. But i’ve been trying to live every day as a litte miracle. Candies, big wheel, music, friends.

A few months ago I was walking with my brand new hostel friends along Thames river… It was 1 am. Suddently we stumbled upon this cheery group of indian friends. They’ve paid some pounds ta polish classic violin player to play them some birthday(and non-birthday) tunes. One of the guys was turning 26. We were invited to be part of it, and than all of us were celebrating somebody’s else 26, but it was more than that. We were celebrating life. Candies, big wheel, music, friends.

This was a moment of ethereal happiness. We were celebrating the joy of human existence through the eyes of a child. We’re not children anymore. This status was left behind long time ago, but it has also left us some gifts. One of them was how to keep our eyes wide open enough to embrace reality.
Happy Children’s Day!

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Considerações Bucólicas

Talvez por excesso de aulas de literatura, sugeri uma vez que o nome da nossa banda de colégio fosse “Os Árcades”. Não colou, adotamos  “Banda Inversus”. Por outro lado, o arcadismo ainda ecoa em algum lugar da minha alma… Basta um canto de pássaro para reavivar aquela sede de natureza, água pura, roça e de mansidão de formiga. Ainda mais remoto que “os árcades” foi o sonho de um dia trabalhar no Greenpeace. Atualmente reconheço minha falta de vocação para acorrentamento em barcos polares, mas admiro a coragem dos ativistas.
Hoje as aspirações são um pouco mais humildes, breve visita à casa dos avós me inspira a um sonho de vida sem ameaça de ladrão ou engarrafamento, num lugar onde o barulho da água corrente embala o sono e pássaros diversos alardeiam a chegada do novo dia.

Riacho da roça

Hoje presenciei a visita de dois tucanos ao pé de caqui, na mesma hora em que saí da casa para fotografar um belo arco-íris.
Passo por um momento de mudança para uma cidade maior que a minha. A vontade que dá é de levar desse pequeno paraíso um pouquinho desse espírito de harmonia.

Arco-íris bucólico

Obrigada, Deus, a nossa Terra é maravilhosa! Que não nos esqueçamos de zelar por esse presente!

Gravidade e o Plano B

Silêncio absoluto. Vazio. Imagine-se caindo num lugar onde não haja nada para segurar, onde a inércia faz com que você não consiga controlar a sua trajetória.  Essa impressão de descontrole me invadiu quando assisti ao filme “Gravidade“, de 2013. Dá um certo alívio quando nos damos conta de que enquanto a Sandra Bullock rodopia pelo espaço, continuamos no conforto de nossos sofás… Ufa! Mesmo assim, essa aflição nos acompanha durante todo o filme.
A ansiedade, esse medo do desconhecido nos assalta em diversas circunstâncias da vida. Ela ressurge naqueles dias em que você se dá conta de que por algum motivo os seus planos não vão dar certo, e que chegou a hora de providenciar um Plano “B”… E não dá pra entrar em uma cápsula e fugir, temos que encarar os novos desafios e descobrir uma nova solução, reconhecer dentro de nós novas potencialidades e tcharam! Voilà uma saída!
Às vezes demora, e as respostas não são tão mágicas assim. Só que às vezes nos falta tempo para ter certeza de que estamos mesmo tomando a melhor decisão. Mas é assim mesmo. Felizmente, temos direito de errar também. E de tentar de novo. Ainda bem, né? Diminui um pouco a expectativa que temos acerca de nós mesmos, mas de qualquer forma não elimina aquela vontade de que dê tudo certo no final… E para o nosso consolo, nada melhor que lembrar das palavras do Fernando Sabino:
No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.

Resoluções Literárias

Acabamos de passar pelos últimos minutos do primeiro dia do ano. No Dia Mundial da Paz pude contemplar as dádivas que recebemos da natureza… O ar que respiramos, o mar grandioso e divino, a areia sob os pés, a chuva que lava a alma…

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Aproveitei o dia para pensar  nos planos e resoluções para o ano novo… Mais especificamente nas resoluções literárias… Atualmente estou lendo um livro chamado Minha Terra, escrito por Abraham Verghese, um médico etíope que vive nos Estados Unidos. Ainda estou no capítulo quatro, mas sei que o livro é uma espécie de autobiografia sobre o cuidado com pacientes com HIV e aids. Descobri esse autor depois e ler o 11o Mandamento, por recomendação de uma professora. Imperdível.

Nossa… Mas tem tanto livro que eu queria ler.. Grande Sertão Veredas, Crime e Castigo, A Linguagem de Deus, A montanha mágica, Atlântida- no reino das trevas, Crepúsculo dos Deuses,  Renúncia… E aqueles que eu comecei e não terminei … Cem anos de de solidão, O mundo de Sofia,  O nome da rosa, Mistério e magia no Tibete, Dom Casmurro… Esses estão todos lá na minha estante, me esperando ansiosamente para retomar o passeio…
É… Parece que já tenho uma boa lista para começar, ou melhor, para terminar!
Agora é arrumar as malas para começar essa incrível viagem literária… Que venha 2014!

Decisão

“O que for teu desejo, assim será tua vontade.
O que for tua vontade, assim serão teus atos.
O que forem teus atos, assim será teu destino.”

Deepak Chopra

Colação de Grau

Reconheço que durante muito tempo em minha vida, não soube direito qual seria minha profissão, e essa dúvida persistiu até mesmo depois de eu ter feito minha escolha.

Medicina. Hoje eu sei que esse caminho foi uma das boas escolhas que eu poderia ter feito, e estou cada vez mais motivada para utilizar meus conhecimentos em prol da concretização de um mundo melhor para todos nós.

Há 11 dias estava junto com meus colegas na cerimônia de Outorga de Grau. E nos últimos dias tenho pensado nas dúvidas que me assaltaram nesses meses finais… a apreensão da escolha profissional –  trabalhar ou fazer residência? residência: qual escolher? Para alguns, a resposta foi fácil. Mas para mim elas foram um grande desafio. Uma indecisão gostosa… Hoje cada colega de jornada encontra-se em busca do melhor caminho. Uns estão casando, outros planejando se mudar para uma pequena cidade na região, outros estão retornando para a casa, e alguns esperando ansiosamente pelo resultado da concorrida residência médica. Desejo que todos vocês, meus amigos, tenham sucesso em suas escolhas.

Decidi. E norteei-me pelo meu desejo profundo de jamais deixar de lado a questão social da medicina, me aprofundar no conhecimento da alma humana. Quero viver a medicina plenamente, aproveitando tudo o que consegui aprender nesses 23 anos, sobretudo os últimos seis. A medicina é nobre pois através dela personificamos a palavra “alívio”. Somos um ser humano tentando aliviar o sofrimento de outro. Para isso é preciso ter humildade e reconhecer nossas limitações, sem nunca deixar de buscar o que é o melhor para o outro.

E para isso inicio este blog. Esta é uma homenagem a todos aqueles que me ajudaram a chegar até aqui, mas também uma manifestação do desejo de continuar com a companhia de cada um de vocês, amigos, durante essa jornada. Mais do que isso, compartilhar o que aprenderei a partir de agora com cada pessoa que eu conhecer.

Um abraço fraterno!