Belém: no meio do pitiú

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Mercado de ferro à direita, e o enorme pátio onde as transações comerciais mais diversas acontecem. Banana, peixe, açaí, caranguejo.

capítulo 2. Novembro, 2017.

A garça namoradeira
Namora o malandro urubu
Eles passam a tarde inteira
Causando o maior rebu
Na doca do Ver-o-Peso
No meio do Pitiú
– Dona Onete

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Belém do Pará.

Cuidado. Talvez “cuidado” seja a palavra que mais ouvi durante minha estada em Belém.

Todos os moradores estarão de olho em você para que você adote os procedimentos de segurança adequados para uma passagem segura pela cidade.

Isso envolve não utilizar a câmera ou o celular em lugares públicos. É claro que não respeitei essa orientação, mas realmente, essa insistência fez com que eu me sentisse bem pouco à vontade para fotografar. Por outro lado, as belezas da cidade estão em todo lugar, sobretudo pertinho da água, onde vemos os pássaros, barcos, e points maravilhosos. Não consegui esgotar as possibilidades durante minha visita, mas certamente tive um gostinho de passear nessas ruas calorentas de gente honesta e prestativa.

Feira do Açaí – Peixes – Ver-o-Peso – Mercado de Carne

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Uma caçada no caos.

Se você pensa em Belém, já deve ter ouvido falar do Ver-o-Peso, e de repente também pode ter ligo algo sobre a entrega de lotes de Açaí em Belém, que acontece de madrugada.

 
Essa talvez seja a experiência mais genuína e sensorial da cidade, aquela que me deu os elementos-chave para entender as letras das músicas de Dona Onete.

 

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Esse moço estava selecionando os melhores açaís. Igual a gente faz com feijão.

Para ir à feira de açaí é necessário chegar umas 4-5h da manhã para ver os moços carregando cestos e mais cestos de açaí. O açaí é colhido nas ilhas ao redor, e o pessoal traz de barco para a cidade.

 

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Macho e açaí pra todo lado

No mesmo ambiente é possível ver peixes de variados tamanhos e texturas. Os mais famosos são o filhote, que tem a pele como um couro, e o pescado amarelo, que tem escamas e é mais gorduroso. Pitiú é o  termo utilizado para descrever o odor de peixe morto exalado no ambiente. Eu diria que nem é muito ruim, assim. Fiquei tão inebriada pelas cores e pelo sol nascendo que não liguei muito pro cheiro.

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Tucunaré (é isso mesmo, produção?)

Um espetáculo à parte é a interação das garças com os urubus.  Enfim. As fotos dão uma remota noção do caos e das cores desse cenário tomado por homens, peixes, garças, urubus e lama.

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No meio do pitiú, a garça namoradeira e os urubus

O Mercado Francisco Bolonha ou Mercado de Carnes fica logo ali de frente ao Mercado de Ferro(o dos peixes) . Ele foi inaugurado no ano de 1867, na baía do Guajará, no complexo do Ver-O-Peso. Francisco Bolonha foi o engenheiro que o remodelou no ano de 1908.

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Mercado de Carnes, ainda com reminiscências do Círio de Nazaré – ao centro.

Para acompanhar-me nessa jornada, tive como guia o simpático Flor das Águas. Ele e seu mestre Cícero (91-98326-9634) vendem também outros tours pelos arredores de Belém que parecem valer muito a pena. Não tive tempo para fazê-los, mas gostei muito da companhia desse moço.

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Meu simpático guia Flor das Águas

 

 

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